Brasil defende descentralização da web
O Brasil vai defender no próximo mês de junho seu ponto de vista sobre a importância de desvincular o controle dos domínios de internet das mãos do governo norte-americano e a necessidade do compartilhamento de conhecimento sobre questões envolvendo a web.
Isso é o que afirma Sérgio Rosa, diretor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), ao comentar alguns dos assuntos que o País colocará em pauta durante a conferência preparatória para a Cúpula da Sociedade da Informação, que acontece entre 8 e 10 de junho no Rio de Janeiro.
De acordo com o diretor do Serpro, o assunto será debatido com líderes da América Latina e do Caribe, e deverá congregar sugestões para a segunda edição da Cúpula da Sociedade da Informação, que acontece em novembro deste ano na Tunísia.
O que está em questão, de acordo com Sérgio Rosa, é a maneira com a qual as atividades da Corporação da Internet para Nomes e Números (Icann, na sigla em inglês), têm sido conduzidas. O órgão, que estabelece as regras para os domínios mundiais, apresenta alto grau de dependência dos Estados Unidos e o ideal seria uma nova política de governança da internet.
"É muito importante desvincular o controle dos domínios da internet das mãos do governo norte-americano. A internet vinculada a um departamento do governo a deixa muito dependente de um país. Queremos a multilateralidade", declara.
O assunto já foi debatido em 2003 durante a primeira fase da Cúpula da Sociedade da Informação, realizada em Genebra. Na ocasião o Brasil, juntamente com a Índia e África do Sul, propôs a criação de um órgão capaz de assegurar uma participação mais uniforme dos países sobre o assunto.
"Existem muitas propostas em estudo. Outros países propõem que os Estados Unidos mantenham o controle mas democratizem as ações; outros sugerem que o controle vá para a UIT [União Internacional das Telecomunicações], enquanto mais uma sugestão é a criação de um órgão semelhante à UIT só que para controlar a internet. São várias as possibilidades, e vamos discuti-las na prévia da Cúpula", diz.
Outra proposta que será discutida, de acordo com o diretor do Serpro, é a distribuição de servidores de domínio pelo mundo, o que resulta no compartilhamento do conhecimento.
"A maioria dos servidores de domínio está nos Estados Unidos. É necessário também distribuir os servidores pelo mundo. O Brasil tem todas as condições técnicas para abrigar esses servidores. Hoje para mandarmos um e-mail para a Argentina, por exemplo, a mensagem passa por Miami para depois seguir para aquele país".
Um terceiro item que também deverá ser debatido é a criação de um fundo de solidariedade digital para aplicar os programas da Cúpula, como informatização dos órgãos de segurança e educação. De acordo com Sérgio Rosa, o Brasil é um dos grandes apoiadores do projeto, ainda que possa não participar como usuário, mas sim como contribuinte.
Nesta segunda-feira (25/04), acontece no Rio de Janeiro o lançamento formal da prévia para a Cúpula. Estarão presentes representantes do governo do Estado e da prefeitura do Rio de Janeiro, além do secretário-executivo do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, chefe da delegação brasileira que representará o país na segunda fase da Cúpula Mundial.
Camila Fusco - IDG Now!